Colômbia inaugura embaixada em Jerusalém e estreita laços com Israel
A Colômbia se tornou nesta quarta-feira (14) um dos poucos países com embaixada em Jerusalém, uma medida que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, celebrou como uma demonstração do fortalecimento dos vínculos de Israel com a América Latina.
Com exceções como os Estados Unidos, a maioria dos países que reconhecem Israel mantém suas embaixadas em Tel Aviv, por considerar que o status de Jerusalém deve ser resolvido em um acordo definitivo para o conflito israelense-palestino.
A transferência cumpre uma promessa do presidente colombiano Abelardo de la Espriella, um líder de direita aliado do presidente americano Donald Trump, que assumiu o cargo em agosto.
A medida marca uma mudança radical em relação ao seu antecessor de esquerda, Gustavo Petro, que rompeu as relações com Israel em 2024, em rejeição à ofensiva israelense em Gaza.
Até então, Israel havia sido um dos principais parceiros da Colômbia na área de segurança.
Nesta quarta-feira, durante a cerimônia de inauguração, Netanyahu afirmou que a América Latina representa um apoio cada vez mais importante para Israel, muito questionado pela guerra em Gaza, inclusive por seus tradicionais aliados ocidentais.
"A coalizão global do wokismo acaba de sofrer uma derrota", afirmou Netanyahu, em referência às derrotas eleitorais de líderes de esquerda da região, muitos deles críticos de Israel.
"Estamos dispostos a combater os bárbaros. E valorizamos aqueles que estão do nosso lado, e a Colômbia está do nosso lado", declarou. "Vocês não terão amigo melhor do que Israel", assegurou.
A poucas semanas das eleições legislativas israelenses de 27 de outubro, nas quais Netanyahu enfrenta uma disputa acirrada para renovar seu mandato, a oposição o responsabiliza pelo isolamento diplomático de Israel devido à guerra em Gaza, lançada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Netanyahu também expressou otimismo com uma nova vitória pró-Israel na América Latina, quando o Brasil votar no segundo turno de 25 de outubro, para o qual o senador Flávio Bolsonaro chega como favorito.
Por sua vez, De la Espriella afirmou, em uma mensagem gravada em vídeo, que Israel e Colômbia têm grandes possibilidades de trabalhar juntos, inclusive no intercâmbio de informações de inteligência e no combate ao crime organizado.
"Não estamos falando simplesmente de uma sede diplomática", afirmou. "Estamos abrindo uma nova porta para que Colômbia e Israel estejam mais próximos, para que nossos empresários encontrem oportunidades, para que nossos cientistas e universidades desenvolvam projetos conjuntos e para que a cooperação entre os dois países se traduza em resultados concretos", enfatizou.
Na cerimônia, o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, destacou, ao lado de seu homólogo israelense, Gideon Saar, que a relação bilateral "nunca deveria ter sido interrompida".
"Israel é um parceiro estratégico, sempre foi e, de agora em diante, será com ainda mais empenho e força", afirmou a embaixadora colombiana, Tania Gilinski.
- Críticas árabes -
Os palestinos também reivindicam Jerusalém como sua capital.
No entanto, Israel controla toda a cidade, que abriga locais sagrados do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, desde que tomou a parte oriental da Jordânia na guerra árabe-israelense de 1967 e posteriormente a anexou, uma medida que a ONU não reconhece.
A Autoridade Palestina condenou a decisão colombiana e afirmou que ela viola o consenso internacional sobre o status jurídico da cidade e os direitos do povo palestino.
A Arábia Saudita, com a qual Netanyahu espera normalizar as relações, classificou a medida como uma "violação flagrante do direito internacional".
Além da Colômbia, Estados Unidos, Fiji, Guatemala, Honduras, Kosovo, Nauru, Papua-Nova Guiné, Paraguai e Somalilândia mantêm embaixadas em Jerusalém.
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou em junho de 2025 que transferiria a embaixada de seu país para Jerusalém durante 2026.
No entanto, a medida foi adiada devido a uma disputa sobre a atividade econômica israelense nas Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, administradas pelo Reino Unido sob o nome de Ilhas Falkland e reivindicadas pela Argentina.
Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores de Israel também informou sobre uma futura transferência da embaixada da República Democrática do Congo.
Sob o governo de De la Espriella, a Colômbia também reconheceu a soberania reivindicada por Israel sobre as Colinas de Golã, território tomado da Síria em 1967 e anexado em 1981. Até agora, apenas Washington havia reconhecido essa anexação.
As Nações Unidas sustentam que o planalto é território sírio sob ocupação militar israelense.
J.L. de Oliveira--JDB