Zelensky acusa Putin de desprezar o pedido de trégua de Trump após últimos ataques
A Ucrânia acusou nesta quarta-feira (14) a Rússia de violar deliberadamente a suposta trégua energética de Donald Trump e de desperdiçar uma oportunidade para reduzir os ataques, após uma nova onda de bombardeios mortais em todo o país, que também atingiram instalações elétricas críticas.
Um funcionário de alto escalão do governo ucraniano disse à AFP que os Estados Unidos estão ajudando a Rússia em sua guerra contra a Ucrânia e responsabilizou Washington por não alertar Kiev sobre ataques e por reduzir a velocidade do serviço de internet via satélite Starlink, usado em particular para comunicações no campo de batalha.
"Já houve dois casos em que os americanos não forneceram um alerta sobre lançamentos balísticos russos (...) E, além disso, limitaram as velocidades do Starlink", afirmou.
Antes, um assessor do presidente ucraniano Volodimir Zelensky declarou que o funcionamento de alguns terminais Starlink enfrentou restrições durante a noite, o que provocou a "perturbação de várias missões".
Segundo um balanço atualizado das autoridades, ao menos quatro pessoas morreram em Kiev e outras 25 ficaram feridas, enquanto 600.000 pessoas ficaram sem energia elétrica. Outros dois civis morreram na região de Dnipropetrovsk (centro-leste) e um terceiro na região de Zaporizhzhia (sul).
Zelensky denunciou na rede social X "uma operação de ataques seletivos com mísseis balísticos russos dirigida especificamente contra as infraestruturas energéticas, as mesmas infraestruturas cobertas pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos".
"A operação foi completamente deliberada e eloquente por sua envergadura: nunca antes a Rússia havia demonstrado um desprezo tão ostensivo pelos Estados Unidos", criticou.
Para surpresa geral, Trump anunciou no domingo uma "trégua energética", ao afirmar que Rússia e Ucrânia haviam concordado em interromper os ataques contra centrais de energia elétrica e refinarias de petróleo.
A Ucrânia afirmou na segunda-feira que "responderia" caso a Rússia não respeitasse a trégua energética durante o inverno, enquanto Moscou se recusa a confirmar o suposto fim dos ataques.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou nesta quarta-feira que atacou, durante a noite, usinas termelétricas em Kiev e em suas imediações, assim como na região de Kharkiv, "utilizadas para o interesse do complexo militar-industrial" das Forças Armadas ucranianas.
- Sem aviso prévio -
Um míssil russo atingiu na noite de terça-feira uma usina elétrica em Kiev, sem que a Ucrânia recebesse um alerta antecipado de seus aliados ocidentais sobre o ataque, informou Zelensky.
O país depende dos serviços de inteligência militar ocidentais, principalmente dos Estados Unidos, para detectar os ataques da Rússia e apontar contra os alvos russos.
"Ataque russo com míssil balístico contra Kiev. Mais uma vez, nenhum aviso prévio por parte dos nossos aliados. O principal alvo era uma infraestrutura energética, especificamente a usina termelétrica número 4. Infelizmente, ela foi atingida", declarou Zelensky no Facebook. Ele acrescentou que a usina é uma "instalação energética fundamental de Kiev".
Segundo o mandatário, os sistemas ucranianos só detectaram os mísseis quando eles já se aproximavam da cidade.
A falta de alerta prévio coincide com um agravamento das tensões entre Zelensky e Trump.
O presidente americano criticou diversas vezes o homólogo ucraniano pelos ataques contra refinarias russas, o que, segundo ele, contribui para o aumento mundial dos preços dos combustíveis. No sábado, sugeriu que a Ucrânia deve ter um "novo presidente".
Paralelamente, a Rússia anunciou nesta quarta-feira que derrubou, durante a noite, 902 drones ucranianos, 180 deles neutralizados perto de Moscou.
Os ataques perturbaram gravemente o funcionamento dos aeroportos da capital russa. Segundo as autoridades, o terminal de Vnukovo interrompeu as operações por mais de oito horas.
A invasão russa em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, provoca um número crescente de vítimas civis devido ao aumento dos ataques nos últimos meses.
P.A. Mendes--JDB