Brasil elege próximo Congresso, que pode definir destino de Jair Bolsonaro
Além de eleger presidente, os eleitores vão escolher deputados estaduais, federais e senadores para um Congresso que ganha importância nesta eleição porque pode definir o destino do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), preso por tentativa de golpe de Estado.
Mais de 158 milhões de eleitores estão convocados para escolher quase 1.800 cargos eletivos.
A acirrada disputa entre o presidente Inácio Lula da Silva (PT) e o filho mais velho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), concentra as atenções. Mas a renovação da Câmara dos Deputados e de dois terços do Senado, ambos de maioria conservadora hoje, será decisiva para o futuro presidente.
O voto do Congresso é necessário para a anistia defendida por Flávio Bolsonaro para seu pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado contra Lula em 2022.
Michelle (PL-DF) e Carlos Bolsonaro (PL-SC), respectivamente esposa e filho do ex-presidente, disputam dois dos 54 assentos em jogo no Senado.
Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), de 28 anos e o mais novo dos filhos homens do ex-presidente, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados, que seu meio-irmão, Eduardo, deixou ao se autoexilar nos Estados Unidos em 2025.
– Revanche suprema? –
Dezenas de pedidos para destituir Alexandre de Moraes, o juiz que conduziu o processo contra Jair Bolsonaro, aguardam tramitação no Senado.
Até agora, eles foram barrados pela presidência da Casa, nas mãos do "centrão", bloco conservador informal. Mas o novo Senado escolherá seu presidente em fevereiro.
Destituir um juiz requer 54 dos 81 votos dos senadores. Flávio Bolsonaro defende um "impeachment" de Moraes.
"É um poder que nunca foi utilizado, mas diversos membros do Senado, especialmente da direita, apontaram que faz parte de sua plataforma, vamos dizer, política", disse à AFP Alvaro Jorge, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas.
O Senado também aprova ou rejeita os indicados do presidente para o Supremo Tribunal Federal. Quem vencer as eleições presidenciais poderá indicar quatro de seus 11 integrantes.
Na Câmara dos Deputados disputam-se as 513 cadeiras. Cerca de 80% dos deputados tenta a reeleição no plenário, onde hoje o bolsonarismo tem a maior bancada, mas sem ser maioria.
– São Paulo de novo à direita? –
No domingo também ocorre o primeiro turno das eleições para governador nos 26 estados e no Distrito Federal.
Em São Paulo, o estado mais rico e populoso do país, com 44 milhões de habitantes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é favorito para vencer pela segunda vez consecutiva Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda de Lula.
Próximo da família Bolsonaro e considerado um futuro presidenciável, Freitas mira uma vitória em primeiro turno e reforçar a campanha de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula.
No estado do Rio de Janeiro, berço e reduto político do bolsonarismo, as pesquisas antecipam uma guinada para a centro esquerda. O carismático ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) é favorito ao governo estadual com o apoio de Lula.
O cargo estava nas mãos do bolsonarista Cláudio Castro (PL), mas ele renunciou este ano às vésperas de se tornar inelegível pela Justiça Eleitoral por abuso de poder.
X. Teixeira--JDB