Presidente da Finlândia afirma à AFP que Trump "fez bem à Otan"
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou nesta terça-feira (15), em entrevista à AFP, que Donald Trump "fez bem à Otan", e que os Estados Unidos são um parceiro no Ártico.
Stubb fez uma análise das crises profundas atuais. Os europeus buscam a melhor forma de lidar com o presidente americano, e Stubb é apresentado frequentemente como possível intermediário entre Washington e as capitais europeias.
Aos 58 anos, o presidente finlandês já jogou golfe com Trump, é próximo do presidente ucraniano e governa desde 2024 um país que faz fronteira com a Rússia.
"Não quero exagerar meu papel nem minha relação com o presidente americano. Venho de um país pequeno, e ele representa uma superpotência”, ressaltou Stubb, em Helsinque. Seu próximo encontro com Trump está marcado para a próxima semana, paralelamente à Assembleia Geral da ONU.
- "Relação pragmática" -
Segundo Stubb, sua relação com o líder americano é “muito pragmática”. “Mas não nos enganemos. O presidente Trump é, em grande parte, um homem com seus próprios critérios, e, basicamente, faz o que quer.”
O líder americano deu um exemplo disso após o Google anunciar, na semana passada, um investimento bilionário em projetos relacionados à IA na Finlândia. Trump publicou uma mensagem furiosa na rede Truth Social, expressando sua insatisfação.
"Estamos felizes com o investimento e acredito que ele fará muito bem às relações bilaterais, respondeu Stubb, cujo país reforçou os laços com os Estados Unidos após abandonar décadas de não alinhamento militar em 2023, para ingressar na Otan.
Segundo Stubb, Trump fortaleceu a aliança ao pressionar os aliados a aumentar seus gastos com defesa. "Fez bem à Otan, no sentido de que os Estados-membros aumentaram seus gastos com defesa. Para um país na linha de frente, como a Finlândia, isso é positivo."
No ano passado, Washington e Helsinque anunciaram que a Guarda Costeira dos Estados Unidos iria adquirir 11 navios quebra-gelo da Finlândia, e que este último país havia investido em material de defesa americano. Ao mesmo tempo, as ameaças feitas por Trump no começo do ano envolvendo o controle da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês, causou tensão na relação transatlântica.
“Entendo que toda a retórica política é incômoda. Certamente, estamos 100% com a Dinamarca", ressaltou Stubb, acrescentando que vê os Estados Unidos “como um parceiro", mais do que um rival.
- Ucrânia -
Stubb também mencionou antes a necessidade de os governos europeus se engajarem diretamente com Moscou para resolver a guerra na Ucrânia. “Acredito que, em algum momento, teremos que abrir os canais de comunicação, porque não se pode conversar com o botão de mudo pressionado. Por enquanto, não há um calendário", disse o finlandês.
”Tentamos ajudar os ucranianos da melhor forma possível. Também mantemos canais de comunicação ativos com os negociadores americanos”, ressaltou Stubb.
Nas últimas semanas, a Europa foi alvo de vários "ataques híbridos", incluindo um drone carregado de explosivos descoberto em um aeroporto alemão, incidente que Berlim atribuiu a Moscou.
Stubb pediu aos europeus "firmeza" em sua resposta, diante da guerra híbrida da Rússia no continente. "Suponho que se possa dizer que a linha entre guerra e paz se tornou tênue, e essa é a nova realidade com a qual convivemos na Europa."
X. do Nascimento--JDB