Governo trabalhista enfrenta teste nas eleições locais britânicas
O governo trabalhista britânico e seu primeiro-ministro, Keir Starmer, em desvantagem nas pesquisas, enfrentam um teste nesta quinta-feira (7) nas eleições locais que podem revelar a ascensão do Partido Verde e do partido anti-imigração Reform UK.
Mais de 5.000 cargos locais estão em disputa na Inglaterra, de um total de 16.000, em um dia que também marca a eleição de membros dos Parlamentos galês e escocês.
As eleições locais, que não incluem as eleições para prefeito em cidades como Londres, mas incluem as eleições para os conselhos municipais de 32 distritos, representam principalmente um teste para o governo de Starmer, que está quase na metade de seu mandato após assumir o poder em julho de 2024.
Estas eleições não definirão os prefeitos de cidades como Liverpool e Newcastle. A eleição para prefeito de Londres está agendada para 2028. Também não haverá eleições em Manchester ou Birmingham, mas haverá eleições em suas respectivas áreas metropolitanas (Grande Manchester e West Midlands).
"Tudo dependerá da magnitude da derrota. Se o resultado for considerado catastrófico, poderá acelerar os planos de algumas figuras dentro do Partido Trabalhista que há tempos consideram pressionar por uma mudança na liderança", explicou à AFP o argentino Ezequiel González Ocantos, professor de Ciências Políticas na Universidade de Oxford.
- "Crescente fragmentação" -
A votação começou às 7h00, horário local (3h00 em Brasília) e estava prevista para terminar às 22h00 (18h00 em Brasília). Horas antes da abertura das urnas, Starmer defendeu a opção trabalhista "contra a ira e a divisão oferecidas pelo Reform UK ou as promessas vazias dos Verdes".
Para Ezequiel González Ocantos, "o que é quase certo é que as eleições confirmarão a crescente fragmentação do sistema político".
"O Reform UK e os Verdes alcançarão resultados históricos, diminuindo o poder local dos partidos tradicionais e complicando ainda mais sua estratégia política em nível nacional", acrescentou o professor da Universidade de Oxford.
O Reform UK, partido de extrema direita liderado por Nigel Farage, e os Verdes, com uma plataforma claramente de esquerda, surgem nessas eleições locais como uma alternativa aos dois partidos tradicionais, Trabalhista e Conservador, que chegam a estas eleições enfraquecidos.
Segundo uma pesquisa da YouGov realizada no início de maio, o Reform UK teria 25% das intenções de voto, seguido pelo Partido Trabalhista (18%), pelo Conservador (17%), pelo Verde (15%) e pelo Liberal Democrata (14%).
Nas eleições gerais de julho de 2024, que levaram Starmer ao poder, o Partido Trabalhista venceu com 33,7% dos votos, seguido pelo Conservador (23,7%), pelo Reform UK (14,3%), pelo Liberal Democrata (12,2%) e pelo Verde (6,4%).
As eleições de 2024 encerraram quatorze anos de governo conservador.
- Escócia e Gales -
O Partido Trabalhista, no entanto, enfrenta dificuldades para cumprir suas promessas de crescimento econômico, em um momento em que o conflito no Oriente Médio agrava a crise.
A impopularidade de Starmer aumentou nos últimos meses após a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus laços com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
As pesquisas indicam que o Partido Trabalhista perderá o controle do governo autônomo em Gales pela primeira vez desde a criação de seu próprio Parlamento, há 27 anos.
Uma pesquisa recente da YouGov sobre as eleições regionais desta quinta-feira mostra o Partido Nacional Escocês (SNP) como o maior partido na Escócia (62 cadeiras).
Segundo a pesquisa, o Reform UK ficaria em segundo lugar (19 cadeiras), à frente do Partido Trabalhista (17), do Verde (16) e do Conservador (7).
Em Gales, o partido pró-independência Plaid Cymru deve vencer, à frente do Reform UK e do Partido Trabalhista.
Um desempenho ruim nas eleições locais e autônomas desta quinta-feira pode intensificar os pedidos por sua renúncia.
Os primeiros resultados dessas eleições serão conhecidos na madrugada seguinte, mas principalmente ao longo da sexta-feira.
L.M. Cardoso--JDB