Kimi Antonelli, a desenvoltura de um jovem no topo da Fórmula 1
O prodígio italiano Kimi Antonelli (Mercedes) se tornou, neste domingo (1º), o campeão mundial mais jovem da história da Fórmula 1, um feito que continua a impressionar o paddock com seu talento, ousadia e personalidade ao volante.
Com apenas 20 anos e dois meses, o piloto nascido em Bolonha, no norte da Itália, conquistou no México o título mais cobiçado do automobilismo, ao final de uma temporada quase perfeita, em seu segundo ano na principal categoria.
Filho de Elisabetta — que prefere manter-se em segundo plano — e de Marco, ex-piloto e chefe de equipe, Andrea Kimi Antonelli subiu em um kart pela primeira vez aos sete anos de idade.
No entanto, seu pai, ciente das dificuldades que esse esporte pode acarretar, não queria que ele seguisse carreira no automobilismo.
"Quando eu era pequeno, antes de tudo começar, meu pai não queria que eu me tornasse piloto, porque o automobilismo pode ser muito cruel às vezes, especialmente no aspecto financeiro, já que é muito difícil ter sucesso sem o apoio das pessoas certas", contou Antonelli durante uma coletiva de imprensa.
"À medida que fui crescendo, ele me ensinou tudo o que sabia: primeiro sobre as corridas e, agora, sobre a vida. É muito importante tê-lo ao meu lado nos Grandes Prêmios, ainda mais em uma temporada tão importante como esta", acrescentou.
Transbordando talento, Antonelli logo chamou a atenção.
Aos 11 anos, já estava no radar do francês Gwen Lagrue, responsável pelo programa de jovens pilotos da Mercedes.
A escuderia alemã assumiu o comando de sua jovem promessa e o acompanhou em uma trajetória meteórica, na qual ele foi subindo de categoria a passos largos.
- Um começo difícil na F1 -
Campeão europeu de kart em 2020 e 2021, da Fórmula 4 italiana e alemã em 2022 e da Fórmula Regional em 2023, o italiano estreou na Fórmula 2 em 2024 sem passar pela Fórmula 3.
Um ano depois, chegou à F1 e, em 2026, alcançou a consagração com suas primeiras pole positions e vitórias, logo coroadas por um título mundial tão merecido quanto inesperado.
"É difícil expressar em palavras o que sentimos durante as últimas voltas do Grande Prêmio da China, ao vê-lo atacar cada curva que o aproximava de sua primeira vitória na F1. A velocidade é uma coisa. A força mental é outra. No domingo, você provou que possui ambas", elogiou, em março, após seu primeiro triunfo na China, o olheiro francês.
A primeira temporada do italiano na F1, marcada pela falta de referências e experiência, foi irregular e, por vezes, difícil.
Antonelli, sexto colocado na Fórmula 2 em 2024, assumiu o cockpit da Mercedes antes do previsto, após a surpreendente saída do britânico Lewis Hamilton — sete vezes campeão mundial — rumo à Ferrari.
"Desde o início, eu disse que ele tinha um talento enorme e uma grande personalidade, mas que precisaria de uma temporada na F1 para crescer e aprender, passando por momentos muito bons e também por fracassos", disse Toto Wolff à AFP.
"Quando ele passou por uma fase difícil no verão de 2025, alguns começaram a duvidar de que ele pudesse ter sucesso na F1 e a dizer que não deveríamos tê-lo promovido tão cedo", relembrou.
"O segundo ano deveria ser a prova de fogo para mostrar que ele era capaz de apresentar um bom desempenho, e ele conseguiu (...) Ele teve de lidar com a pressão, a mídia e as expectativas. Por isso, é ainda mais gratificante ver o quão bem ele se saiu este ano", destacou o emblemático chefe da Mercedes.
- A bênção de Hamilton -
Sempre jovial, sorridente e brincalhão, Antonelli se tornou, em menos de dois anos, o grande animador do paddock.
Sempre que participa de uma coletiva de imprensa, ele demonstra seu senso de humor e contagia os outros pilotos, para a alegria dos jornalistas.
Peter Bonnington, seu engenheiro de corrida, que trabalhou anteriormente com Hamilton, já perdeu a conta das brincadeiras que o italiano fez com ele este ano... e das tortas de creme que ele acertou em seu rosto.
O britânico, de 41 anos e sete vezes campeão mundial, viu Antonelli crescer quando ainda corria pela Mercedes e não esconde a admiração que sente por ele. Na verdade, ele já lhe deu sua bênção.
"Ele é extremamente impressionante e merece ser campeão mundial", afirmou Hamilton, que nesta temporada pareceu viver uma "segunda juventude" ao lado do descontraído piloto italiano, alguém que, talvez, um dia possa ameaçar seu recorde de sete títulos mundiais.
V.J. Coelho--JDB