Polícia chilena entra em confronto com estudantes que protestam contra presidente
A polícia de choque entrou em confronto nesta quarta-feira (3) com estudantes que participaram de uma manifestação multitudinária em Santiago contra os cortes fiscais promovidos pelo governo do ultradireitista José Antonio Kast.
O protesto ocorreu dois dias depois de Kast anunciar um projeto para criar um cadastro de "vândalos" contra aqueles que ataquem policiais, profissionais da saúde ou danifiquem monumentos, com o objetivo de retirar benefícios como a gratuidade universitária ou uma aposentadoria estatal.
Milhares de estudantes do ensino médio, universitários e professores marcharam pela manhã pela avenida Alameda, no centro da cidade, mas a polícia impediu, com gás lacrimogêneo e jatos d'água, que avançassem em direção ao palácio presidencial. Os estudantes responderam atirando pedras.
Embora a polícia ainda não tenha divulgado um relatório sobre os confrontos, que duraram cerca de uma hora, a AFP observou pelo menos uma dezena de detidos, entre eles uma mulher que terminou com o rosto ensanguentado.
"Chega de cortes, não é ajuste, é roubo" ou "com os cortes, a saúde não passa de agosto" eram algumas das frases escritas nos cartazes erguidos pelos manifestantes.
Kast, advogado de 60 anos, assumiu a Presidência em março com a promessa de impor cortes nos gastos do Estado para equilibrar as contas públicas e impulsionar a economia. Logo no início de seu mandato, determinou uma redução de 3% nos gastos de todos os ministérios.
"É como um ataque às pessoas mais pobres, porque são elas que utilizam os benefícios sociais, não as pessoas que têm dinheiro", reclamou à AFP Romina Cuevas, professora de 47 anos.
A. Nunes--JDB