FMI eleva previsão de crescimento para 2026 mas alerta para cenário 'dividido'
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou levemente nesta terça-feira (13) a previsão de crescimento para a economia mundial em 2026, que agora está em 3,1%, graças ao boom da Inteligência Artificial (IA), que amortiza o impacto da guerra no Oriente Médio.
A revisão em alta de 0,1 ponto percentual para este ano se deve, sobretudo, ao bom desempenho das economias desenvolvidas, em particular as asiáticas, enquanto os países emergentes sofrem com o aumento dos preços dos combustíveis.
Para a América Latina, a perspectiva é de leve baixa, com uma projeção de crescimento de 2,3% neste ano (uma queda de 0,1 ponto percentual na comparação com a estimativa de julho) e de 2,5% em 2027.
A região, em linhas gerais, perde mais com o impacto do aumento do preço do petróleo do que ganha com a expansão da IA.
"Duas forças atuam sobre a economia: por um lado, o aumento dos preços da energia, que provoca choques de oferta negativos e reforça a inflação; por outro, os investimentos, principalmente em Inteligência Artificial, que geram um choque de demanda", afirmou a nova economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro.
"A economia mundial tem sido resiliente, mas esta resiliência está chegando ao seu limite", advertiu em entrevista coletiva, durante a assembleia geral do Fundo em Bangcoc.
Os investimentos colossais em IA impulsionaram o crescimento de vários países, em particular aqueles que produzem semicondutores, como Taiwan, com um crescimento econômico estratosférico de 10,7% previsto para este ano.
Os Estados Unidos crescerão 2,3%, uma previsão sem mudanças em relação a julho, enquanto a China crescerá 4,5% (-0,1).
Embora ainda permaneça concentrada em algumas regiões, a aceleração da IA "é o que permite à economia mundial manter um crescimento de 3%", afirmou na segunda-feira a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.
- A desigualdade na América Latina -
A América Latina e o Caribe se mostram desiguais diante do choque energético, devido aos perfis muito diferentes de seus países.
Os exportadores, como a Venezuela (5% de crescimento previsto para este ano) ou a Guiana (com uma projeção extraordinária de 22,3%), saem claramente beneficiados.
O México, que vem perdendo espaço no cenário petrolífero, crescerá 1,5% este ano, enquanto o Brasil recuará um pouco e terá 2,2% de expansão.
O Brasil enfrenta "condições monetárias ainda restritivas orientadas a devolver a inflação à sua meta, à retirada do apoio da política fiscal e à incerteza global", enquanto o México se sustenta graças às exportações, "inclusive por meio das cadeias de valor vinculadas à IA, e de um investimento em processo de estabilização".
No restante dos países "há pouca contribuição compensatória para o avanço tecnológico", explica o Fundo.
"A recomendação do Fundo é manter o foco na inflação", declarou em entrevista coletiva a nova economista-chefe.
- Forte contração no Oriente Médio -
Sem surpresa, o norte da África e o Oriente Médio sofrem os efeitos da guerra, que devem empurrar a região para a recessão neste ano, segundo as novas estimativas do Fundo. Um exemplo é a Arábia Saudita, que deve ter uma contração de 3,3%.
A zona do euro, por sua vez, também mostra sinais inesperados de solidez, com um crescimento revisado para cima (+0,2 ponto) para este ano, e já supera 1%.
A tendência é impulsionada pela Alemanha que, depois de três anos difíceis, dois deles de recessão, registra uma forte expansão, com um crescimento para 2026 revisado em alta de 0,6 ponto na comparação com a estimativa de julho e agora previsto para 1,3%.
A Espanha também registra uma revisão importante (+0,4 ponto) e continua sendo o motor da zona do euro, com um crescimento previsto para este ano de 2,5%, amplamente superior ao dos demais países da UE.
Na Ásia, a Índia crescerá 7%, a Coreia do Sul 3,3% e o Japão 0,7%.
X. do Nascimento--JDB