KGM acelua expansão com investimento chinês e novos modelos
A KG Mobility (KGM), ex-SsangYong, consolida sua recuperação financeira ao firmar parceria estratégica com a chinesa Chery. Com investimento de 75 milhões de dólares e desenvolvimento conjunto de novos SUVs, a montadora sul-coreana renova sua oferta, lançando o híbrido Actyon e preparando o sucessor do Rexton para 2027.
A KG Mobility (KGM), anteriormente conhecida como SsangYong, inicia uma nova fase de crescimento após superar anos de instabilidade financeira. A montadora sul-coreana, que renomeou sua marca em 2023 sob o controle do grupo KG desde 2022, está aprofundando laços com a indústria automotiva chinesa para acelerar o desenvolvimento de novos veículos e recuperar terreno no mercado global.
A recuperação da empresa começou a se refletir nos números recentes. No primeiro semestre deste ano, as vendas totais da KGM atingiram 56.759 unidades, das quais 34.953 foram exportadas para mercados internacionais. Esse desempenho representa o melhor resultado de exportação da marca nos últimos doze anos.
Parte fundamental dessa estratégia envolve a colaboração com parceiros chineses para acelerar a inovação tecnológica. Um exemplo imediato é o KGM Actyon HEV, lançado em Portugal no início deste ano. O veículo utiliza um sistema híbrido desenvolvido em conjunto com a BYD, combinando um motor turbo de 1,5 litro com dois motores elétricos e uma transmissão dedicada. O resultado é uma potência de 204 cavalos-vapor e consumo homologado de 5,9 litros a cada 100 quilômetros. Com preços iniciais a partir de 37.990 euros, o Actyon ocupa um espaço competitivo entre SUVs de segmento D e modelos de categorias inferiores.
No entanto, a conexão com a China deve se tornar ainda mais estrutural através da Chery. Desde 2024, as duas empresas trabalham em conjunto, e a KGM adquiriu uma licença para utilizar a plataforma T2X da Chery no desenvolvimento de futuros SUVs. Agora, o vínculo financeiro também se intensifica: a Chery investiu 75 milhões de dólares na KGM por meio de obrigações conversíveis. Caso convertidas em ações, esse investimento poderá conferir ao construtor chinês uma participação acionária próxima de 10%.
Apesar da aproximação tecnológica e financeira com a China, a KGM não pretende abandonar suas raízes em veículos utilitários robustos. As picapes continuam sendo um pilar central da oferta da marca. A linha Musso foi expandida para incluir a versão totalmente elétrica, disponível com tração dianteira ou integral e autonomia de até 420 quilômetros segundo o ciclo WLTP. Paralelamente, a nova Musso Diesel mantém uma abordagem tradicional, atendendo a consumidores que ainda priorizam motores de combustão interna.
A estratégia atual da KGM é equilibrar a eletrificação onde faz sentido comercial sem abandonar os segmentos nos quais a antiga SsangYong construiu sua reputação. A influência da Chery será mais visível nos próximos modelos, começando pelo sucessor do Rexton, atualmente conhecido pelo código SE10.
O novo SUV está sendo desenvolvido sobre a plataforma T2X da Chery, mesma base utilizada por modelos como o Jaecoo 8 e o EBRO S900. O lançamento do novo Rexton está previsto para 2027 e deverá oferecer versões a gasolina e híbrida plug-in.
Para uma marca que lutava pela sobrevivência há pouco mais de quatro anos, a situação atual é significativamente diferente. A KGM está em crescimento, renovando sua gama de produtos e encontrando na China parceiros capazes de acelerar esse processo. O desafio agora é determinar até onde essa aproximação estratégica com a Chery poderá levar a marca no futuro do setor automotivo.
F. Fernandes--JDB