Trump celebra acordos comerciais 'fantásticos' com Xi sem revelar detalhes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que estabeleceu "acordos comerciais fantásticos" e resolveu "muitos problemas" durante a reunião de cúpula com o seu homólogo da China, Xi Jinping, mas, horas depois do final de sua viagem a Pequim, os detalhes ainda não haviam sido revelados.
Trump viajou a Pequim com o objetivo de fechar acordos em setores como agricultura, aviação e inteligência artificial, além de atenuar as divergências em áreas de conflito.
O presidente republicano afirmou que Xi aceitou ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, além de comprar aviões da Boeing e mais petróleo e soja dos Estados Unidos.
Mas não houve anúncios oficiais sobre os acordos.
Questionado sobre o tema, o Ministério das Relações Exteriores da China não confirmou nem desmentiu as declarações de Trump.
A cautela reflete o tom do encontro de cúpula.
Trump descreveu Xi como um "grande líder" e "amigo, mas Pequim utilizou um tom mais moderado.
Nesta sexta-feira, o presidente americano afirmou que a visita proporcionou "muitas coisas boas".
"Fechamos acordos comerciais fantásticos, ótimos para os dois países", comemorou Trump, enquanto Xi o acompanhava pelos jardins de Zhongnanhai, o complexo central do governo chinês ao lado da Cidade Proibida em Pequim.
"Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam sido capazes de solucionar", acrescentou o republicano.
Por sua vez, Xi afirmou que foi uma "visita histórica" e que as partes estabeleceram "uma nova relação bilateral, que é uma relação de estabilidade estratégica construtiva".
Nas ruas da capital da China, as pessoas também optaram pela prudência.
"A reunião pode ser considerada um sucesso, mas, para ser sinceros, ninguém tinha grandes expectativas", declarou à AFP Zhang Yong, um técnico de informática de 46 anos.
- "Ajuda" em Ormuz -
Em uma entrevista ao canal Fox News após o primeiro dia da visita, Trump disse que Xi aceitou vários pontos da lista de objetivos dos Estados Unidos.
Sobre a guerra no Irã, o presidente americano afirmou que Xi assegurou que Pequim não pretende ajudar militarmente Teerã, que mantém o Estreito de Ormuz bloqueado na prática, uma via crucial para o tráfego mundial de hidrocarbonetos.
"Disse que não vai entregar equipamento militar", declarou Trump.
"Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto e disse: 'Se eu puder ser de qualquer ajuda, de qualquer forma, gostaria de ajudar'", acrescentou.
O Ministério das Relações Exteriores da China publicou um comunicado em que pede "um cessar-fogo abrangente e duradouro" no Oriente Médio e a reabertura das vias navegáveis o "mais rápido possível".
Mais tarde, em uma entrevista coletiva, um porta-voz do ministério não respondeu à pergunta sobre se a China colaboraria na questão.
Na entrevista à Fox, Trump afirmou que Xi se comprometeu a comprar "200 grandes" aviões da Boeing.
A caminho dos Estados Unidos, no Air Force One, ele acrescentou que o acordo incluía "uma promessa de 750 aviões, o que será, com folga, o maior pedido da história, se fizerem um bom trabalho com os 200".
Além disso, segundo Trump, Pequim "quer comprar" petróleo americano e demonstrou interesse na soja.
A China, que é a principal cliente do petróleo iraniano, comprou pequenas quantidades deste hidrocarboneto dos Estados Unidos antes de Trump impor tarifas elevadas no ano passado.
Desde então, o país reduziu drasticamente as compras de soja americana e passou a recorrer ao produto brasileiro.
O Ministério das Relações Exteriores não comentou ou desmentiu outros detalhes.
Não houve anúncios sobre os chips da Nvidia para inteligência artificial, apesar da presença do CEO da empresa, Jensen Huang, na delegação de executivos que acompanhou Trump.
As empresas de tecnologia chinesas estão proibidas de adquirir os chips mais avançados da Nvidia devido às normas de exportação dos Estados Unidos, que pretendem, segundo Washington, proteger a segurança nacional.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse ao canal CNBC que Trump e Xi também discutiram a possibilidade de estabelecer "barreiras de segurança" para o uso de IA.
Ele acrescentou que as "duas superpotências mundiais em matéria de IA vão começar a dialogar".
- Política sobre Taiwan "não mudou" -
Os cordiais apertos de mãos e toda a pompa de quinta-feira foram ofuscados por um alerta contundente de Xi sobre um ponto de tensão geopolítica muito mais antigo: Taiwan, uma ilha de regime democrático que Pequim reivindica como parte de seu território.
Segundo a imprensa estatal chinesa, o presidente do país disse a Trump que uma administração equivocada da questão poderia levar os dois países a um "conflito".
A bordo do Air Force One, Trump declarou aos jornalistas que ele e Xi conversaram "muito sobre Taiwan".
"Ele não quer ver uma luta pela independência", disse. "Eu não fiz nenhum comentário sobre isso, apenas o ouvi".
Na quinta-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que "a política dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan não mudou".
Xi e Trump almoçaram juntos nesta sexta-feira. Em seguida, o americano partiu para o aeroporto.
Quando se preparava para embarcar no Air Force One, o americano ergueu o punho no ar duas vezes.
"Sobre o conteúdo, não acredito que tenham acontecido grandes surpresas", afirmou Yue Su, analista da The Economist Intelligence Unit.
A nova descrição das relações bilaterais esboçada por Xi "deve ser considerada um sinal positivo", mas "é provável que se trate de uma estabilidade frágil, que não elimina as divergências subjacentes", acrescentou.
M. Andrade--JDB