Ex-advogado de Trump pronto para ser confirmado como procurador-geral dos EUA
O ex-advogado pessoal do presidente Donald Trump, Todd Blanche, está prestes a obter nesta sexta-feira (7) sua confirmação como procurador-geral dos Estados Unidos, depois que os senadores republicanos ignoraram as preocupações dos democratas sobre a politização do Departamento de Justiça.
Blanche - que já vinha exercendo a função de principal responsável pela aplicação da lei nos Estados Unidos como procurador-geral interino - representou Trump como seu advogado particular em diversos processos criminais antes de ingressar no governo.
Como os republicanos têm apenas uma maioria apertada no Senado, eles corriam o risco de sofrer um constrangimento caso não conseguissem confirmar sua nomeação.
Dois senadores do partido de Trump disseram que não apoiariam Blanche, deixando seu destino indefinido até que um terceiro senador indeciso, Bill Cassidy, aparecesse na televisão ao vivo nesta sexta-feira para anunciar que votaria a favor.
Essa mudança deve permitir a confirmação de Blanche pela margem mais estreita possível, com todos os democratas votando, como previsto, contra sua nomeação.
Trump, que rompeu com normas políticas dos Estados Unidos ao tentar colocar sob seu controle direto agências governamentais que deveriam ser independentes, considera Blanche uma "estrela".
Os democratas se opuseram à nomeação de Blanche desde o início, acusando Trump de transformar o Departamento de Justiça em uma arma política.
"O procurador-geral deve ser o advogado do povo", afirmou na terça-feira o senador Dick Durbin, principal democrata no Comitê Judiciário do Senado.
"O senhor Blanche continua atuando como advogado pessoal do presidente, tratando o Departamento de Justiça como um escritório de advocacia que presta serviços a um único cliente: o presidente", declarou.
- O advogado do caso da atriz pornô -
Um dos principais obstáculos à confirmação de Blanche foi sua tentativa de criar um fundo de US$ 1,8 bilhão para o que Trump considera vítimas de perseguição judicial.
Era provável que esse fundo incluísse os apoiadores de Trump que invadiram o Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, em uma tentativa de insurreição para impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020.
Blanche atua como procurador-geral interino desde que Trump demitiu, em abril, Pam Bondi, outra aliada fiel.
Desde então, ele tem estado intimamente ligado ao que os democratas classificam como uma campanha de "retaliação" de Trump contra seus adversários.
Blanche também foi alvo de críticas por parte de vítimas de Jeffrey Epstein pela forma como conduziu a divulgação dos arquivos da investigação sobre o agressor sexual condenado, já falecido, que em outro momento foi um amigo próximo de Trump.
Antes de ingressar no Departamento de Justiça, Blanche representou Trump em seu julgamento em Nova York relacionado aos supostos pagamentos de "dinheiro para comprar silêncio" à atriz pornô Stormy Daniels.
Ele também integrou a equipe de defesa de Trump em dois processos federais movidos pelo promotor especial Jack Smith: um sobre o suposto manuseio inadequado de documentos sigilosos após deixar a Casa Branca e outro por tentar reverter os resultados das eleições presidenciais de 2020.
Ambos os processos foram arquivados depois que Trump venceu as eleições presidenciais de 2024.
G. Lopes--JDB