Trump diz que conversas para trégua com Irã avançam "em ritmo acelerado"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as conversas com o Irã avançavam "em ritmo acelerado", apesar de as negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio parecerem ameaçadas nesta segunda-feira (1º) por novas ameaças da Guarda Revolucionária do Irã.
As declarações do republicano ocorreram pouco depois de a agência de notícias iraniana Tasnim afirmar que Teerã havia interrompido o diálogo indireto com Washington em represália à ofensiva israelense no Líbano.
"As conversas continuam, em ritmo acelerado, com a República Islâmica do Irã", escreveu o presidente na Truth Social, pouco depois de também anunciar por meio de sua rede social que Israel e o Hezbollah haviam lhe prometido conter a escalada militar no Líbano.
Semanas de negociações indiretas entre Washington e Teerã, marcadas por ameaças e ataques, não conseguiram pôr fim à guerra nem reabrir o Estreito de Ormuz, a via marítima pela qual passava um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da eclosão do conflito em 28 de fevereiro.
A mais recente troca de ataques entre Estados Unidos e Irã durante a noite coincidiu com uma nova intensificação da ofensiva terrestre de Israel no Líbano.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que suas Forças Armadas atacassem por terra "alvos terroristas" nos subúrbios do sul de Beirute.
O porta-voz de língua árabe de Israel publicou no X que os moradores dos subúrbios, ou Dahiyeh, deveriam evacuar a área "para preservar sua segurança", e imagens da AFP mostraram enormes congestionamentos enquanto os residentes tentavam fugir.
Horas mais tarde, Trump assegurou que Israel e o Hezbollah haviam concordado em interromper os combates, uma das condições de Teerã para assinar a paz com Washington.
Os Estados Unidos haviam apoiado as operações de Israel contra o Hezbollah, mas tentam persuadir Netanyahu a interromper as hostilidades para encerrar a guerra com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz.
- "Violação do cessar-fogo" -
O Irã acusou os Estados Unidos de violarem novamente o frágil cessar-fogo alcançado em 8 de abril, após os ataques americanos deste fim de semana, seguidos por represálias militares iranianas.
O bloqueio naval americano aos portos iranianos e a escalada da violência no Líbano são "provas claras da violação do cessar-fogo por parte dos Estados Unidos", publicou no X o chefe da delegação negociadora iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Nesta segunda-feira, a emissora estatal iraniana Tasnim informou que Teerã estava se retirando da mesa de negociações devido aos "crimes" que Israel "continua cometendo" no Líbano e às violações da trégua "em todas as frentes".
"Não me importo" se as conversas com o Irã fracassarem, declarou Trump à emissora americana CNBC, em entrevista por telefone pouco antes de suas publicações na Truth Social.
"Se acabarem, acabam", afirmou sobre negociações que já começavam a lhe parecer "muito entediantes".
E, em outra entrevista, desta vez à NBC News, o republicano avaliou que já haviam "falado demais" com Teerã.
- Bombardeios "defensivos" -
O governo islâmico assegurou na segunda-feira que seu programa nuclear não fazia parte "desta etapa" das negociações, ao contrário das expectativas de Trump, que afirmou na noite de domingo que um memorando de entendimento deveria estabelecer "muito claramente que o Irã não terá uma arma nuclear".
O Exército dos Estados Unidos anunciou ter realizado uma nova onda de bombardeios "defensivos" no sábado e no domingo no sul do Irã, a terceira em pouco mais de uma semana.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), esses bombardeios tiveram como alvo sistemas de radar e de controle de drones na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz.
Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta segunda-feira que atacou uma base utilizada pelas forças americanas para bombardear território iraniano, sem especificar sua localização.
O conflito já provocou milhares de mortes e abala a economia mundial, com uma forte alta nos preços do petróleo, que voltaram a disparar nesta segunda-feira diante do agravamento das tensões.
D. Barbosa--JDB