Toque de recolher em Newark após incidentes perto de centro de detenção de imigrantes
Um toque de recolher foi decretado neste domingo (31) na cidade de Newark, próxima a Nova York, após confrontos entre a polícia e manifestantes contrários às políticas migratórias do presidente Donald Trump.
A medida abrange as imediações de um centro de detenção de migrantes em Newark, cidade de Nova Jersey situada a cerca de 22 km de Manhattan, e permanecerá em vigor até novo aviso, entre 21h00 e 6h00 no horário local (22h00 e 07h00 de Brasília), segundo um comunicado.
"Um toque de recolher obrigatório é implementado imediatamente em um raio de meia milha (800 metros) ao redor de Delaney Hall", uma instalação administrada pela polícia federal de imigração (ICE), declarou o prefeito de Newark, Ras Baraka, citado no texto.
Esse estabelecimento, com capacidade para 1.000 leitos e operado por uma empresa privada, tem sido o foco de protestos há vários dias.
Após um dia de manifestações majoritariamente pacíficas no sábado, incluindo uma contramanifestação em apoio ao ICE, algumas pessoas tentaram ultrapassar uma barreira policial, o que levou a polícia a utilizar gás lacrimogêneo.
"Não sei por que esses indivíduos atacaram nem o que pretendem fazer, mas me recuso a permitir que esses atos perigosos prejudiquem o compromisso de Nova Jersey de garantir a segurança pública", reagiu na rede X a governadora democrata do estado, Mikie Sherrill.
Na sexta-feira, as autoridades tentaram reduzir a tensão ao transferir as responsabilidades de segurança do ICE para a polícia estadual e estabelecer áreas designadas para os protestos. No entanto, essas medidas não evitaram novos confrontos noturnos.
Os protestos foram impulsionados por uma greve de fome e de trabalho iniciada por detidos em Delaney Hall.
Em uma carta publicada pelo Movimento Cosecha, organização de defesa dos imigrantes sem documentos, cerca de 300 deles afirmam estar "detidos sem motivo válido" e "não receber atendimento médico adequado". Eles também denunciam "a má qualidade da comida".
A greve recebeu o apoio de vários legisladores democratas.
M. dos Santos--JDB