Papa pedirá paz em zona em conflito de Camarões
O papa Leão XIV chegará, nesta quarta-feira (15), a Camarões, com uma mensagem de paz para uma região em conflito há quase uma década, na segunda escala de sua viagem pela África.
Após uma visita inédita à Argélia, na qual fez vários apelos à fraternidade inter-religiosa e visitou o berço do teólogo cristão Santo Agostinho, o papa americano deverá chegar à capital de Camarões, Yaoundé, por volta das 15h00 (11h em Brasília).
Neste país da África Central, com cerca de 30 milhões de habitantes — dos quais 37% são católicos —, a Igreja desempenha um papel de mediadora e administra uma ampla rede de hospitais, escolas e obras de caridade.
Na catedral de Nossa Senhora da Vitória, em Yaoundé, lenços com o rosto do papa estampado se esgotaram rapidamente.
A cidade foi tomada por cartazes, faixas e bandeiras nos últimos dias, por ocasião da quarta visita de um sumo pontífice ao país. A última, realizada por Bento XVI, remonta a 2009.
Na capital, o papa se reunirá com o presidente Paul Biya, de 93 anos, no primeiro de seus quatro dias no país majoritariamente francófono. Esse encontro com o chefe de Estado, no poder desde 1982, dividiu os católicos do país.
Alguns fiéis manifestaram receio de que ele contribua para melhorar a imagem do presidente camaronês, seis meses após os protestos contra sua contestada reeleição, que foram reprimidos com violência.
- "Campo de entendimento" -
Leão XIV, de 70 anos, visitará depois um orfanato católico e também se reunirá em privado com os bispos de Camarões.
Na quinta-feira, viajará para Bamenda, no noroeste do país, epicentro da insurgência separatista, onde rezará pela paz diante de mais de 20.000 fiéis.
A crise nessa região remonta à década de 1970, quando as zonas francófonas e anglófonas se uniram e a minoria de língua inglesa temeu perder suas práticas jurídicas e culturais.
O conflito irrompeu em 2017, na esteira da repressão aos protestos, e opõe separatistas que proclamaram a "República de Ambazônia" ao governo central.
Encurralados, os civis se tornaram alvo de extorsões, violência, sequestros e assassinatos. Pelo menos 6.000 deles morreram desde 2016, segundo a ONU.
Leão XIV fará um discurso e celebrará missa no aeroporto da cidade, que foi reformado para a ocasião.
"Assim que o papa puser os pés na terra de Bamenda, queremos paz, todos os assassinatos e sequestros devem cessar", disse no domingo à AFP Giovanni Mbuna, um fiel de 36 anos que foi sequestrado por separatistas em 2023.
"A visita do papa abrandará o coração dos extremistas para que possamos encontrar um campo de entendimento (...) e alcançar uma solução pacífica", afirmou Andrew Fuanya Nkea, arcebispo de Bamenda e presidente da Conferência Episcopal dos Camarões.
A visita do papa a este país será concluída na sexta-feira em Duala, a capital econômica, onde celebrará uma missa em um estádio com capacidade para milhares de pessoas.
A viagem de Leão XIV pela África começou na segunda-feira, na Argélia, onde permaneceu dois dias. Lá, o pontífice exortou à continuidade do "diálogo" com os muçulmanos e fez um apelo ao "perdão" diante do Monumento aos Mártires, vítimas da sangrenta guerra de independência contra a França (1954-1962).
O líder de 1,4 bilhão de católicos continuará sua jornada de 18.000 km em Angola e Guiné Equatorial, até 23 de abril.
X. Barbosa--JDB