Stephen Colbert diz que CBS se recusou a exibir entrevista com candidato democrata
O apresentador e comediante americano Stephen Colbert acusou na terça-feira (17) o canal CBS de ter se recusado a exibir uma entrevista com um candidato democrata ao Senado pelo temor de violação das orientações regulatórias do governo de Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos acusou os programas de entrevistas noturnos, conhecidos como "late night shows", de parcialidade, pois costumam atacá-lo e criticar suas políticas.
Colbert afirmou que a CBS não exibiu sua entrevista com James Talarico, candidato às primárias democratas para o Senado no Texas, um reduto republicano que poderia mudar de lado.
Segundo o apresentador, a decisão atendeu a pressões da Comissão Federal de Comunicações (FCC), que publicou no mês passado a diretriz de garantir tempos de exibição equilibrados entre os partidos políticos.
A CBS "me disse unilateralmente que eu tinha que respeitar a equivalência de tempo de exibição, algo que nunca me havia sido pedido (...) em 21 anos de carreira", disse Colbert em seu programa "Late Show".
"Estou simplesmente tão surpreso que uma empresa mundial tão gigantesca não enfrente esses valentões", acrescentou.
A emissora respondeu que apenas forneceu "assessoria jurídica" ao advertir que a exibição poderia contrariar as diretrizes da FCC.
O apresentador publicou a entrevista no YouTube, onde ultrapassava, nesta quarta-feira, cinco milhões de visualizações.
Talarico afirmou que a decisão da emissora se deve ao medo de Trump com o avanço democrata no Texas, atualmente representado por dois senadores republicanos.
A CBS, adquirida no ano passado pela família Ellison, próxima a Trump, enfrenta acusações de interferência política, em particular desde que cancelou uma reportagem sobre o grande presídio salvadorenho para o qual Trump deportou imigrantes.
No ano passado, a emissora anunciou o fim, após a atual temporada, do programa "The Late Show", de Colbert, no ar desde 2015 e um dos mais bem avaliados em seu horário.
A administração Trump tem ameaçado as emissoras com a cassação das licenças de transmissão caso não sigam as diretrizes da FCC.
Em setembro, a ABC, propriedade da Disney, tirou do ar durante uma semana o popular "late night" do humorista Jimmy Kimmel por comentários sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
M. dos Santos--JDB