Ex-presidente das Filipinas elaborou 'listas de pessoas a serem mortas', afirma promotor do TPI
O ex-presidente filipino Rodrigo Duterte elaborou pessoalmente uma "listas de pessoas a morrer" e vangloriou-se de assassinatos cometidos durante sua "guerra contra as drogas", denunciou um promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta terça-feira (24), em Haia.
Esta terça-feira marcou o segundo dia das audiências para determinar se Duterte, que governou as Filipinas de 2016 a 2022, deve ser julgado por crimes contra a humanidade. Duterte enfrenta três acusações deste tipo.
Os promotores o acusam de envolvimento em pelo menos 76 mortes entre 2013 e 2018.
O promotor Edward Jeremy apresentou testemunhos convincentes, incluindo alegações de que crianças tinham suas cabeças envoltas em fitas adesivas e eram estranguladas até a morte.
"Como presidente, Duterte nomeou publicamente pessoas que acusou de envolvimento com o narcotráfico, e muitas acabaram sendo vítimas de sua guerra contra as drogas", afirmou o promotor.
"A lista Duterte era uma lista de exclusão", afirmou Jeremy, mostrando um vídeo no qual o ex-presidente declara: "sou o único responsável por tudo isso".
- "Corpos amontoados" -
Jeremy exibiu o trecho de um discurso no qual Duterte fazia piadas sobre execuções extrajudiciais. "E neste suntuoso salão dourado de apresentações, autoridades riem junto com o presidente enquanto ele se vangloria de suas habilidades em execuções extrajudiciais", disse Jeremy. "E lá fora, nas ruas das Filipinas, há corpos amontoados", acrescentou.
Jeremy alegou que quase 1.500 pessoas haviam sido mortas quando o vídeo foi gravado.
O promotor afirmou que, em duas ocasiões, crianças de cerca de 14 ou 15 anos foram presas. Nas duas vezes, "a polícia enrolou a cabeça da criança em fita adesiva para que ninguém pudesse ouvi-la gritar. E então estrangularam a criança até a morte com um fio", disse Jeremy.
"É difícil imaginar um fim mais horrível para duas vidas que mal haviam começado. Essas crianças assassinadas foram então vendidas para funerárias", observou.
O advogado do ex-presidente, Nicholas Kaufman, afirmou na segunda-feira que seu cliente "mantém firmemente sua inocência". Embora tenha recorrido "ameaças e exageros" em seus discursos, frequentemente ordenava às autoridades que atirassem apenas em casos de legítima defesa, argumentou.
Grupos de direitos humanos estimam que a campanha antidrogas de Duterte deixou dezenas de milhares de mortos, em sua maioria pessoas pobres mortas pela polícia ou grupos de autodefesa, muitas vezes sem provas que as ligassem ao tráfico.
Após quatro dias de audiências, os juízes terão 60 dias para decidir por escrito se Duterte deve ser submetido a um julgamento completo.
Ele foi preso em Manila em março de 2025 e transferido para Haia. Desde então, permanece na unidade de detenção do TPI na prisão de Scheveningen.
O ex-presidente de 80 anos não compareceu ao tribunal, exercendo seu direito de permanecer em silêncio. Sua equipe de defesa alega que está fraco e em declínio cognitivo.
Os promotores e os advogados das vítimas afirmam que ele está com boa saúde, mas não quer encarar os familiares que o acusam.
P. Batista--JDB