Como uma de suas namoradas levou à morte do traficante mais procurado do México
Uma namorada de Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", o narcotraficante mexicano mais procurado dos últimos tempos, que foi abatido pelo Exército mexicano, foi peça-chave para descobrir seu paradeiro em Tapalpa, um pitoresco povoado no oeste do México.
Oseguera, de 59 anos, poderoso líder do temido Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), ficou ferido em um confronto no domingo com militares que pretendiam prendê-lo. Ele morreu durante sua transferência aérea para um hospital.
A operação foi ativada quando a inteligência militar mexicana, com ajuda do Comando Norte dos Estados Unidos, soube que uma mulher se reuniria na sexta-feira, 20 de fevereiro, com o chefe do cartel em Tapalpa, a cerca de 130 quilômetros de Guadalajara, capital do estado de Jalisco.
O secretário da Defesa do México, Ricardo Trevilla, relatou nesta segunda-feira (23), em entrevista coletiva, que um homem de confiança de "uma das companheiras sentimentais de 'El Mencho'" a levou a uma casa naquela localidade.
A mulher deixou o local no sábado, mas Oseguera permaneceu ali cercado por membros de sua equipe de segurança.
A Força Especial de Reação Imediata da Guarda Nacional então planejou a operação com ações por terra e por ar no domingo.
Os militares se aproximaram da área, sem entrar em Jalisco "para preservar o sigilo e, com isso, obter o efeito surpresa", explicou. Ao confirmar sua presença, decidiram "efetuar a prisão" de Oseguera por "crime organizado" e posse de armas.
- Fuga violenta -
"Realmente foi um ataque muito violento", reconheceu Trevilla, que afirmou que as autoridades encontraram um arsenal que incluía armas longas e dois lançadores de foguetes, um deles do tipo RPG.
Os homens do chefe do cartel, que sempre se caracterizou por desafiar abertamente as forças de segurança, já haviam utilizado esse tipo de lançador de foguetes. Em 2015, derrubaram um helicóptero militar com esse tipo de arma que participava de uma operação para detê-lo.
No domingo, "El Mencho" não teve a mesma sorte. Em sua fuga, ele e seu círculo próximo de segurança entraram em uma área de mata.
Novamente foi cercado pelos militares, que o encontraram escondido entre a vegetação, contou o chefe do Exército mexicano.
Os responsáveis por sua segurança dispararam contra um helicóptero militar, que teve de fazer um pouso de emergência em uma instalação próxima.
Em meio ao confronto sangrento, os militares feriram o chefe do cartel e dois de seus escoltas. "Estavam em estados muito graves", assegurou Trevilla. Os três foram levados de avião a um hospital de Guadalajara, mas morreram no caminho, precisou.
Os corpos foram transportados em um avião para a capital mexicana e entregues à Procuradoria-Geral.
Por sua vez, o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, disse que os restos de Oseguera foram identificados geneticamente para serem entregues a seus familiares.
As autoridades também informaram sobre a morte, no domingo, do homem de maior confiança de "El Mencho". Hugo H., conhecido como "El Tuli", foi localizado em El Grullo, outra localidade de Jalisco, de onde coordenava a onda de violência que sacudiu vários estados do país em reação à operação contra o líder do narcotráfico: bloqueios de rodovias, incêndios de veículos e ataques a instalações militares.
"Ele também oferecia 20.000 pesos [cerca de R$ 5.150] por cada militar que fosse assassinado", indicou o chefe militar.
"El Tuli" também morreu quando tentava fugir. Portava uma arma longa, uma pistola e cerca de um milhão e meio de dólares (R$ 7,7 milhões).
A morte do líder do CJNG desencadeou uma onda de centenas de bloqueios e queima de veículos em 20 dos 32 estados mexicanos.
O governo mobilizou quase 10 mil militares na segunda-feira para conter a violência desencadeada na véspera.
Em alguns pontos de Jalisco, os bloqueios de rodovias por parte de narcotraficantes continuavam, e o medo seguia presente entre os habitantes de Guadalajara, a segunda maior cidade do México, com mais de cinco milhões de habitantes.
Em Aguililla, o remoto povoado natal de "El Mencho", nas montanhas de Michoacán, os distúrbios continuam, enquanto permanece a incógnita sobre onde ele será enterrado.
A. Martins--JDB