Tribunal turco absolve jornalistas acusados de envolvimento nos protestos em Istambul
Um tribunal de Istambul absolveu nesta quinta-feira (27) quatro jornalistas turcos, incluindo o fotógrafo da AFP Yasin Akgül, acusados de participar em uma manifestação ilegal que o grupo cobriu em março durante uma onda de protestos.
Os repórteres foram detidos no final de março em suas residências e permaneceram encarcerados por vários dias, depois que cobriram manifestações da oposição em apoio ao prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, preso pouco antes e que permanece detido.
O tribunal considerou que "não existe nenhum fundamento sólido que permita concluir que os acusados cometeram a mencionada infração".
Milhares de manifestantes e mais de 10 jornalistas, além de vários advogados, foram detidos durante a onda de protestos em apoio a Imamoglu, principal rival do presidente Recep Tayyip Erdogan.
Os detidos foram acusados de infringir a lei sobre manifestações e reuniões públicas, um crime que pode resultar em uma pena de três anos de prisão.
Além do jornalista da Agence France-Presse, o único que trabalha para um meio de comunicação internacional, figuravam como acusados os fotógrafos independentes Bulent Kiliç e Zeynep Kuray, além de Ali Onur Tosun, repórter do canal NOW Haber.
Todos afirmaram desde o início que apenas cobriram os protestos como jornalistas. Nenhum jornalista compareceu nesta quinta-feira ao tribunal de Çaglayan.
A direção da AFP pediu de maneira reiterada a absolvição de Akgül. O advogado Kemal Kumkumoglu argumentou no tribunal, em 24 de outubro, que não houve nenhuma infração.
Organizações de defesa da imprensa, como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), comemoraram a decisão judicial em um caso que consideraram "ilegítimo".
"A absolvição dos jornalistas é um alívio, mas também demonstra que suas detenções foram arbitrárias", disse à AFP Erol Ondreroglu, da RSF.
R. Borges--JDB